A aula seguiu normal. A professora
Márcia era bem tranquila e distraida, beirando a inocência. Lecionava história.
–– Bom dia, pessoas que fazem parte
de uma pequena parcela da história do mundo! Hoje pretendo falar da história
desse bairro. Mas, não contem ao coordenador! Ele me mata!
A turma riu, mais para não deixar a
professora sem graça do que pela piada infeliz. Gostavam dela, afinal.
Duas aulas depois e finalmente veio
o intervalo. O tão aguardado intervalo. A meia hora entre as três primeiras
aulas e as duas últimas. A meia hora onde todos poderiam conversar à vontade
sem algum professor xingar. A única meia hora livre da manhã!
O grupo de alunos que formavam o
Grêmio Escolar falava ao rádio da escola: “E esse é um recado para Roberto:
parece que você tem uma admiradora, meu amigo! Pediu para tocar uma música em
sua homenagem!”.
Claro, havia pelo menos dez Robertos
diferentes na escola. A “admiradora” queria mesmo se manter no anonimato. “Será
que ela pediu para tocar essa música por ter medo de perguntar diretamente a
esse tal Roberto? Arrisca ou esquece?”, pensava Alana, enquanto escutava “Strawberry Fields Forever”, dos Beatles. “Parece que ela está
arriscando”.
Joane estava ao seu lado, pronta
para ouvir a resposta que tinha certeza que viria em dois segundos.
–– Decidi, Ane. Eu arriscaria, de
maneira que ainda conseguisse encarar a pessoa depois, independente da
resposta. Parece que, mais uma vez, os Beatles me deram uma pequena luz!
–– Hmm... Então é isso. Acho que eu
também estava pensando nisso. Obrigada, Laninha!
Estavam ambas na arquibancada da
quadra poliesportiva. Joane levantou-se como um foguete e correu para o pátio.
Alana já estava acostumada com essas atitudes impulsivas de sua amiga. Quando
estavam cursando o 8º ano do ensino fundamental, ela ainda estranhava esse
comportamento. Hoje em dia, já se formando no ensino médio, até achava graça.
Joane passou correndo pelo corredor
do segundo andar da escola, para conseguir chegar depressa à sua sala. Estava
ansiosa para fazer logo a pergunta.
No caminho, avistou um calouro do 1º
ano sentado no corrimão da escada que levava ao terceiro andar.
–– Ei, novato! O que pensa que está
fazendo?
–– Eu? Você pode...?
–– Posso o quê?
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