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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Nasce Uma Nova História 02

            A aula seguiu normal. A professora Márcia era bem tranquila e distraida, beirando a inocência. Lecionava história.
            –– Bom dia, pessoas que fazem parte de uma pequena parcela da história do mundo! Hoje pretendo falar da história desse bairro. Mas, não contem ao coordenador! Ele me mata!
            A turma riu, mais para não deixar a professora sem graça do que pela piada infeliz. Gostavam dela, afinal.
            Duas aulas depois e finalmente veio o intervalo. O tão aguardado intervalo. A meia hora entre as três primeiras aulas e as duas últimas. A meia hora onde todos poderiam conversar à vontade sem algum professor xingar. A única meia hora livre da manhã!
            O grupo de alunos que formavam o Grêmio Escolar falava ao rádio da escola: “E esse é um recado para Roberto: parece que você tem uma admiradora, meu amigo! Pediu para tocar uma música em sua homenagem!”.
            Claro, havia pelo menos dez Robertos diferentes na escola. A “admiradora” queria mesmo se manter no anonimato. “Será que ela pediu para tocar essa música por ter medo de perguntar diretamente a esse tal Roberto? Arrisca ou esquece?”, pensava Alana, enquanto escutava “Strawberry Fields Forever”, dos Beatles. “Parece que ela está arriscando”.
            Joane estava ao seu lado, pronta para ouvir a resposta que tinha certeza que viria em dois segundos.
            –– Decidi, Ane. Eu arriscaria, de maneira que ainda conseguisse encarar a pessoa depois, independente da resposta. Parece que, mais uma vez, os Beatles me deram uma pequena luz!
            –– Hmm... Então é isso. Acho que eu também estava pensando nisso. Obrigada, Laninha!
            Estavam ambas na arquibancada da quadra poliesportiva. Joane levantou-se como um foguete e correu para o pátio. Alana já estava acostumada com essas atitudes impulsivas de sua amiga. Quando estavam cursando o 8º ano do ensino fundamental, ela ainda estranhava esse comportamento. Hoje em dia, já se formando no ensino médio, até achava graça.
            Joane passou correndo pelo corredor do segundo andar da escola, para conseguir chegar depressa à sua sala. Estava ansiosa para fazer logo a pergunta.
            No caminho, avistou um calouro do 1º ano sentado no corrimão da escada que levava ao terceiro andar.
            –– Ei, novato! O que pensa que está fazendo?
            –– Eu? Você pode...?
            –– Posso o quê?

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