Projeto de livro. A história já está bem encaminhada. Já conheço o início, o meio e o fim; só preciso ajeitar algumas coisas e consertar outras. Não é grande. Não dividi por capítulos ainda.
Mas preciso saber se devo continuar ou deixar para lá. Comentem, por favor.
“Quando você quer saber algo, mas
tem medo da resposta, o que você faz? Arrisca ou esquece?”
Essa foi a pergunta que perturbou
Alana pelo resto do dia. Estava em sala de aula, olhando para o pátio através
da janela, quando Joane a interrogou. Por sorte, isso aconteceu durante o
último horário. Do contrário, perderia toda a aula. Apesar de que já não estava
prestando atenção à última aula mesmo.
Fora embora para sua casa e ficou
pensando nisso durante todas as atividades do dia: no almoço, no trabalho de meio
período no fast food do bairro, no
jantar, no horário de lazer e no horário de estudar. Pensou nisso até dormir.
Esse era o tipo de pessoa que Alana
era: quando colocava algo na cabeça, não descansava até que resolvesse.
“Arrisca ou esquece?”
Claro. As opções eram várias: se
arriscasse e perguntasse, poderia ouvir algo que desgostasse. Do contrário, se
esquecesse, ficaria pensando na possível resposta, sem nunca poder saber qual
seria.
“Logo, a escolha óbvia seria
arriscar.” Pensou. “Mas, e se a resposta me destruir?”
O dia amanheceu e chegara a hora de
ir à escola. E o pensamento continuava a atormenta-la.
Durante o percurso da escola,
encontrou-se com Joane, que a estava esperando encostada em uma árvore.
–– Bom dia, Laninha! Aposto que
ainda está pensando no que eu lhe disse ontem. – disse Joane com um sorriso.
–– Bom dia, Ane! Está tão exposto
assim em meu rosto?
–– Não... Eu que lhe conheço mesmo!
Afinal, já são cinco anos.
–– Verdade. E pelo que conheço de
você, está pensando no que fazer em relação a isso.
–– A-cer-tou!
Ambas continuaram o caminho à
escola, enquanto Joane saltitava de alegria.
Chegando à escola, encontraram Márcio
Hiruka, um descendente de orientais (todos o perguntavam se era chinês, mas ele
se irritava e dizia apenas que era descendente de orientais). Joane era
apaixonada por Marcio, e ambos se davam bem. Nunca confessaram, mas ambos se
gostavam.
A aula logo começaria, mas os três
não se preocupavam com isso. Conversavam e andavam tranquilamente pela entrada
da escola, enquanto viam os outros alunos passarem. Era mais uma terça-feira
tranquila, apenas com aulas normais.
Ao chegar à sala de aula, Alana
sempre observava todos, à procura de sua amada: Jéssica Iohana.
Iohana (todos a chamavam pelo
segundo nome, pois ela odiava o primeiro) sentava-se à terceira mesa da segunda
fileira a partir da janela. Ela estava de costas para a porta quando os três
chegaram. Alana foi correndo abraçar sua amada.
–– Bom dia, Ioflor! – e deu um
abraço bem apertado, com Iohana ainda de costas.
(“Hana” significa “flor” em japonês, por isso a chamava de Ioflor.)
–– Bom dia Lana! Está animada hoje?
–– Sempre que lhe vejo, fico
animada! – e olhou para as pessoas que estavam à frente. – Bom dia pessoal!
–– Bom dia, Alana. Já estava se esquecendo
do resto do mundo não é? – respondeu Vitor com um sorriso sarcástico.
–– Não enche!
–– Opa! E a verdadeira personalidade
se revela! – disse Rayssa, com um tom de deboche.
–– Você também, Ray?!
–– Vamos, vamos... Acalme-se,
senhorita. – Rafael fazia mais do tipo observador, mas sempre tentava apaziguar
o clima. – Não vamos brigar logo no início do dia, não é?
–– Acho que você está certo, senhor
Cura. – e se virou para Vitor – Mas, você que me aguarde!
–– Que medo!
(Rafael, em hebraico, significa “Deus
cura”)
Até
o momento, Hiruka e Joane haviam se sentado à fileira mais perto da porta para
poderem conversar. Falavam de coisas triviais, como o que haviam comido durante
o café da manhã. Mas, a cada palavra de Marcio, os olhos de Joane brilhavam de
paixão.
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